Encontrar o John Winchester (protagonizado por Jeffrey Dean Morgan) foi o objetivo dos rapazes na 1ª temporada que acabou por ser tão difícil como conseguir que ele ficasse por perto quando foi descoberto. A reunião da família Winchester foi pouco vivida: na 1ª temporada acabou com um acidente de carro e um destino incerto para os três. E depois lá estava o pacto demoníaco que o John tinha feito com o mesmo monstro que andavam a caçar.

JENSEN ACKLES: Tudo até àquele ponto era à volta de encontrar o pai. Encontramos pai, continuamos a lutar como uma unidade, e depois perdemos o pai, e eramos dois órfãos.
JARED PADALECKI: E eu acho que foi a primeira vez que trouxemos alguém de volta da morte, e foste tu [para Ackles].
ACKLES: Eu morri no acidente de carro e ele trocou a sua vida com Azazel.
PADALECKI: Eu acho que foi a primeira vez que nós vimos um personagem principal a morrer e a voltar à vida. E isso foi um ato de fé. Então contamos a história dos Reapers e o que acontece com a alma.
ACKLES: Foi quando entramos na vida após a morte.
PADALECKI: : Isso foi uma grande mudança de título no que Supernatural podia fazer…
ACKLES: Com a introdução do Inferno, e dos pactos com os demónios – o que é engraçado porque tu pensas nisso agora, e o [criador] Eric [Kripke] deve ter sempre sabido sempre porque a mãe fez o pacto com o demónio de olhos amarelos.


A próxima mudança apareceria mais tarde na 2ª temporada, assegurando bases para introduzir os anjos muito antes do Castiel ter aberto as suas asas naquele celeiro abandonado na 4ª temporada.

PADALECKI: “Houses of the Holy” foi a primeira vez que falamos em anjos em Supernatural. Eu e o [Jensen] estavamos do tipo, “Quaisquer que sejam as vossas crenças religiosas, qualquer que sejam as nossas, não estamos aqui para proselitismo. Estamos aqui para fazer um programa de televisão serializado, mas queremos que seja universal.” Então, na verdade tivemos uma chamada de conferência com o Eric Kripke e estávamos do género, “Olá, meu, nós não sabemos como nos sentimos acerca disto.”
ACKLES: : Nós não queríamos dar que falar aos escritores religiosos que assistiam, porque não era esse programa com que nós tínhamos concordado. O nosso argumento foi: “Nós confiamos em ti. Levaste-nos longe até agora. No entanto, esta é a nossa única preocupação, e estamos só a trazer o assunto à mesa para o pudermos discutir.”
PADALECKI: E eles ouviram-nos, e acho que foi por isso que esperaram outro ano e meio antes de introduzir o nosso segundo e mais famoso anjo. Eu acho que foi a única vez que os chamamos juntos com um descontentamento. Porque eu não sou um escritor. Eu não quero ser um escritor. Eu gosto do meu trabalho como ator. Mas isto foi legitimamente como “Ouve, se vais fazer isto acerca de religião, eu não quero fazer parte disso.”
MISHA COLLINS: E agora surpreendentemente, 11 anos depois, muito da série foi deixado na tradição bíblica e mitologia que na verdade foi tirada da Bíblia. Uma coisa interessante para nós é que acabámos a falar com padres e pastores e ministros, ou até freiras, que adoram a série.
ACKLES: [Para Collins] Tu e eu fomos ao Vaticano. Nós fomos à Basílica de S. Pedro e estava lá um padre da Carolina do Sul. Ele era um fã da série e ele fez uma missa privada para nós em frente do mural de Miguel a matar Lucifer. Ele disse “Eu acho que isto seria apropriado para vocês rapazes.”
COLLINS: Isso foi muito mágico.
ACKLES: Foi maravilhoso, mas o meu ponto de vista é que estávamos num dos lugares mais religiosos da terra, e eles estavam a prestar serviços a pessoas de um programa que lida com histórias inspiradas na Bíblia.
PADALECKI: Mas não a contar a história que a Bíblia conta.
ACKLES: Foi isso. Foi onde conseguimos o passe, é que não estamos a tentar contar a história da Bíblia. Os escritores inspiram-se em elementos bíblicos e depois elaboram com base neles. Então quando voltamos à discussão original, o Eric voltou com “Não estamos aqui para contar a história de Jesus Cristo. Estamos aqui para levar esse elemento e usar como inspiração para a história.” Eu acho que isso aliviou qualquer preocupação que ele e eu tivéssemos. E ao mesmo tempo nós confiávamos mesmo no Eric e continuamos a confiar até hoje.

Outro ato de fé veio com o episódio da 2ª temporada “Hollywood Babylon”, que pode ser considerado como o primeiro episódio meta. Abriu a porta para a tudo desde o episódio da 6ª temporada “The French Mistake” até ao crossover de Scooby-Doo na 13ª temporada.

ACKLES: “Babylon” foi a primeira vez que saímos de nós e apenas nos gozamos com a indústria.
COLLINS: Isso foi uma grande [ajuda para saber] que tu podes ir a estas incríveis convenções. Ler o roteiro onde estamos a fazer um episódio de Scooby-Doo faz-me sentir orgulhoso. Onde mais podemos fazer isso?
PADALECKI: Que outros programas fazem isso e têm os fãs todos entusiasmados por irem fazer isso? Conseguem imaginar se JAG ou NCIS fizessem um episódio de Scooby-Doo? As pessoas ficariam “O quê?”. Não só quebramos a quarta parede, como vamos ao meta, mas estes acabam por ser alguns dos nossos melhores episódios.

O final da 5ª temporada segura o lugar nº1 no ranking da EW, mas essa hora foi importante por várias razões, uma delas sendo a despedida do criador Kripke.

COLLINS: “Swan Song” foi outro marco histórico porque marcou o culminar da visão do Eric para a série. Ele tinha cinco temporadas em mente que se encaixavam perfeitamente, e depois ele seguiu em frente e entregou às rédeas à Sera [Gamble]. Isso transformou-se, “Ok, rapazes, agora vamos descobrir como começar um novo capítulo ou um novo volume numa série de capítulos.”
PADALECKI: É a história de onde todos nascemos, aqueles de nós que foram introduzidos nos primeiros cinco anos. Então ter o criador a sair? Eu diria que foi a maior mudança.

Gamble serviu como showrunner para as temporadas 6 e 7, a última contendo outro momento grande da série: a morte do Bobby (Jim Beaver), a figura de pai do Sam e do Dean.

PADALECKI: O Bobby foi uma grande parte. Jeffrey Dean [Morgan] nunca foi uma parte tão grande da série. Ele obviamente era uma grande parte na história, mas ele fez [apenas alguns] episódios, e Jim Beaver fez 60 ou algo assim. E havia qualquer coisa acerca da sua morte que nós sabíamos que era final… ou final para Supernatural.
ACKLES: Porque a sua personagem disse, “Acabou.” Então não é como se ele tivesse sido morto acidentalmente e nós descobrimos uma maneira de trazer o Bobby de volta. Ele estava do género, “Estou aqui pendurado, rapazes.” Foi pesado.
PADALECKI: Foi provavelmente a primeira morte de alguém que esteve ali durante anos…
ACKLES: [Interrompendo] Um favorito dos fãs…
PADALECKI: Sim, e eu lembro-me do [presidente da CW] Mark Pedowitz dizer algo sobre o efeito como “Como fã, odiei quando o Bobby morreu, mas foi ótimo para a televisão.” Foi como eu me senti.
ACKLES: Como quando o Sam Winchester morrer de vez, vai ser uma boa televisão. Mas quando o Dean Winchester continuar a viver, vai ser uma ótima televisão. [Todos riem].

A 12ª temporada viu a introdução de um mundo apocalítico alternativo no qual o Sam e o Dean Winchester nunca nasceram e o Céu e o Inferno estão fechados numa guerra eterna. E com esse mundo vem a possibilidade do retorno de inúmeras personagens. Mas isso faz sentir como um ponto de viragem?

COLLINS: Bem, eu acho que a fenda e o facto que tu poderes ir para um mundo apocalíptico e que podes subitamente revisitar todos os personagens de maneira diferente – se pudesse existir uma versão diferente de cada personagem – isso daria alas a uma incrível panóplia.
ACKLES: Porque não ter as mesmas personagens como algo diferente?
PADALECKI: E se existe um universo alternativo, então quantos mundos alternativos existem? É difícil dizer, porque eu sinto que é impossível identificar um ponto de viragem durante a viragem. Em retrospetiva vai revelar como a história irá afetar a série, a imagem no geral e a maneira como seguimos em frente. Mas certamente sinto que estamos a abrir portas com a fenda e com o filho de Lucifer.
COLLINS: É também difícil porque nos primeiros cinco anos existiam todos estes impensáveis novos capítulos que abrimos. Tanta coisa foi levada aos extremos que é difícil ir agora a um novo extremo que é tão grande que explode todo este mundo aberto de novo.
PADALECKI: É quase como um paradoxo, mas nós contamos estas histórias de uma maneira que é baseada na realidade. Isto não é uma série de fantasia. Isto não é há muito tempo numa galáxia muito, muito distante. Parte da nossa grande premissa é que este é o nosso mundo. Nós estamos a dizer histórias malucas, mas esse é o mundo em que vivemos agora. É bom ver os nossos escritores, que são incrivelmente talentosos, a acenar e a tentar acertar uma cavilha quadrada num buraco redondo. É bom assistir e fazer parte disso.

29 de Setembro de 2017 Micaela Oliveira Samantha Highfill, Entertainment Weekly
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